Do Código Estático à Realidade Dinâmica O Futuro Não é Da Metabolômica, Da Biomedicina Nem Da Medicina Convencional, Mas Da Bioinformática E Da Medicina Preditiva Assertiva
Do Código Estático à Realidade Dinâmica - O futuro não é da Metabolômica, da Biomedicina nem da Medicina Convencional, mas da Bioinformática e da Medicina Preditiva-Assertiva ®
Dr. João Ricardo M. Gonçalves¹
Introdução: Uma Nova Fronteira na Medicina
Nós nos encontramos no limiar da mais profunda transformação da história da medicina. Por séculos, a prática foi, em sua essência, reativa. Observava-se a doença se manifestar para então intervir. Com o advento da estatística e uma e evolução a mais, a genética, entramos na era preventiva, aconselhando pacientes com base em riscos estatísticos. E a grande verdade é que, por mais que se queira dar um nome que remeta à customização, “medicina personalizada”, a verdade é que os modelos ainda usam a mediana, valores ótimos ou de referência, não importa, mas tomados por uma media, analisados por estatísticas de consequências.
Hoje, essa fronteira está se expandindo a uma velocidade exponencial , impulsionada por uma força que transcende o laboratório e o consultório: o poder computacional.
O paciente com um sistema complexo e interconectado, talvez o maior “Bigdata” que existe, a Genética como um manual de instruções fundamental desse sistema e a complexidade desse manual frente às suas interações com o ambiente, só pode ser verdadeiramente decifrado com ferramentas que superam a própria capacidade cognitiva humana.
Este artigo serve como um mapa, guiando-nos desde os conceitos basilares da genética até a vanguarda da bioinformática, culminando em um novo paradigma que redefinirá o futuro da saúde.
O Genoma: Mais que um Livro de Receitas, um Software Dinâmico
Frequentemente, o genoma é descrito como o "livro da vida". Eu prefiro uma analogia mais funcional: o genoma é o sistema operacional (SO) do ser humano. Contido no núcleo de quase todas as nossas células, este SO é escrito em uma linguagem de apenas quatro letras (A, T, C, G) – os nucleotídeos que compõem o DNA.
- DNA (Ácido Desoxirribonucleico): É o código-fonte, a dupla-hélice que carrega todas as instruções. Ele é imensamente estável, projetado para preservar a informação através de gerações.
- Genes: São os "aplicativos" ou "rotinas de software" dentro do SO. Cada gene contém a instrução para executar uma função específica, geralmente a produção de uma molécula funcional.
- Genoma: É a totalidade do código-fonte – os 3.2 bilhões de pares de bases que compõem o sistema operacional humano completo, com seus aproximadamente 20.000 genes-aplicativos e vastas regiões regulatórias que gerenciam como e quando esses aplicativos são executados.
Pensar no genoma como um software dinâmico, e não como um livro estático, é o primeiro passo para entender sua fluidez e capacidade de adaptação.
Do DNA à Função: A Dança do RNA, das Proteínas e do Splicing
Para que o código-fonte do DNA se transforme em uma ação biológica, ele precisa ser compilado e executado. Esse processo ocorre em duas etapas principais, conhecidas como o Dogma Central da Biologia Molecular:
1- Transcrição (DNA → RNA): Uma cópia de trabalho de um gene específico é criada na forma de RNA (Ácido Ribonucleico). O RNA é uma molécula mais instável e de fita simples, projetada para ser uma mensagem temporária.
2- Tradução (RNA → Proteína): A mensagem do RNA é lida pelos ribossomos, que montam uma proteína, aminoácido por aminoácido. As proteínas são as verdadeiras "operárias" da célula: são as enzimas que catalisam reações, as fibras que dão estrutura, os receptores que recebem sinais. Atualmente nem usa-se o termo proteína, apesar de permanecer o campo de estudo denominado Proteômica, mas sim polipeptídeos, pelas diferentes cadeias de aminoácidos que essa tradução pode resultar.
No entanto, mesmo neste processo fundamental, encontramos a primeira camada de genialidade regulatória do nosso sistema: o splicing (processamento). O RNA transcrito inicialmente (pré-mRNA) contém seções codificantes (éxons) e seções não codificantes (íntrons). O processo de splicing remove os íntrons e une os éxons. A maravilha aqui é o splicing alternativo, que permite que a célula "escolha" quais éxons incluir na mensagem final. Isso significa que um único gene-aplicativo pode gerar múltiplas versões de uma proteína, cada uma com uma função ligeiramente diferente.
É como se um único bloco de código pudesse ser compilado de maneiras diferentes para criar programas com funcionalidades distintas. Essa é a primeira pista de que nosso DNA não é um roteiro linear, mas um sistema complexo e modular.
Esta é a base sobre a qual toda a complexidade da biologia e o poder da bioinformática serão construídos. Analise esta primeira parte e, quando estiver satisfeito, me dê seu "ok" para prosseguirmos para as camadas de regulação que governam este sistema: a epigenética, a metilação e o relógio da longevidade.
Epigenética: O Maestro da Orquestra Genômica
Se o genoma é o nosso sistema operacional, a epigenética é a interface do usuário e o painel de controle que determina quais programas são executados, em que ordem e com qual intensidade, sem alterar uma única linha do código-fonte original. Todas as nossas células possuem o mesmo genoma, mas um neurônio e uma célula da pele são drasticamente diferentes. Essa diferença não reside no DNA em si, mas em seu padrão epigenético. Dois mecanismos principais orquestram essa regulação: a arquitetura da cromatina e as marcas químicas.
1 - Histonas e a Arquitetura do Acesso: O DNA não flutua livremente no núcleo; ele está compactado em uma estrutura chamada cromatina, enrolado em proteínas chamadas histonas, como uma linha em carretéis. A epigenética pode modificar quimicamente essas histonas, fazendo com que elas se apertem ou se afrouxem. Quando as histonas estão "apertadas", o DNA fica inacessível e os genes naquela região são silenciados. Quando estão "frouxas", o DNA fica exposto, permitindo que os genes sejam lidos e transcritos. É o controle de acesso físico ao nosso hardware genético.
2 - Metilação: O Interruptor Químico "Liga/Desliga": A metilação do DNA é, talvez, o mecanismo epigenético mais estudado. Trata-se da adição de um pequeno grupo químico (metil) diretamente a uma citosina (a letra 'C') no DNA. Geralmente, quando a região promotora de um gene é densamente metilada, ele é efetivamente desligado. A função da metilação é crucial para o desenvolvimento, para a diferenciação celular e para o silenciamento de elementos genéticos indesejados, como os transposons (Quando uma parte de um DNA de uma célula e cortada e colada em outra, por algum mecanismo biológico equivocado, podendo causar disfunções celulares).
O processo de metilação depende de um fornecimento constante de doadores de metil, um ciclo metabólico diretamente influenciado por nossa nutrição, especialmente por vitaminas do complexo B (B9 - folato, B12 - cobalamina) e outros cofatores. Uma metilação inadequada, seja por deficiência nutricional, estresse oxidativo, excesso de radicas livres, cortisol e insulina elevada, infamações crônicas subclínicas, ou toxinas ambientais, podem levar a uma desregulação catastrófica: genes supressores de tumor podem ser silenciados, enquanto oncogenes podem ser ativados, criando um terreno fértil para o desenvolvimento de doenças crônicas e câncer.
Aqui cabe dizer quatro importantes questões que quebram alguns paradigmas:
O Nosso DNA não é imutável, podendo ocorrer mutações ao longo da vida, em um nível genético (uma ou poucas células) ou em nível genômico, mesmo antes do nascimento, como a ocorrência de Mosaicismo e Transposons. Alterações no Genoma são mais raras, mas podem ocorrer;
Todos os canceres são doenças genéticas;
Todas as doenças têm um fundo genético;
Há robustos estudos que induzem à uma conclusão de que comportamentos também são herdados, não meramente decorrência sociológica ou psicológica. A epigenética talvez possa sim, com suas decorrentes alterações no DNA, serem passadas a outras gerações.
Telômeros e Telomerase: O Relógio da Longevidade Celular
Além da regulação da expressão gênica, nosso genoma possui um mecanismo intrínseco que mede sua própria vida útil: os telômeros. Os telômeros são capas protetoras nas extremidades de cada cromossomo, análogos às pontas de plástico de um cadarço, que protegem o código genético de se desgastar.
A cada divisão celular, nossas enzimas de replicação não conseguem copiar o cromossomo por inteiro, resultando em um pequeno encurtamento dos telômeros. Este encurtamento progressivo funciona como um relógio biológico. Quando os telômeros atingem um comprimento criticamente curto, a célula entra em senescência (envelhecimento) ou apoptose (morte celular programada), um mecanismo vital para prevenir a replicação de células com DNA potencialmente danificado.
É aqui que entra a telomerase, a enzima da "imortalidade celular". Sua função é reconstruir e alongar os telômeros, "rebobinando" o relógio. Em células-tronco e germinativas, a telomerase é altamente ativa, permitindo a renovação contínua. Na maioria das nossas células somáticas, no entanto, ela é reprimida. A relação da telomerase com a longevidade é direta: a velocidade do encurtamento telomérico é um dos biomarcadores mais precisos do envelhecimento biológico. Fatores integrativos como estresse crônico, inflamação, privação de sono e má nutrição estão associados a uma menor atividade da telomerase e a um encurtamento acelerado dos telômeros, conectando diretamente nossas experiências de vida ao envelhecimento do nosso DNA.
Nosso genoma é um sistema operacional complexo, com camadas de regulação que respondem dinamicamente ao nosso ambiente e estilo de vida.
O Mito do DNA Imutável e a Realidade Mitocondrial
Um dos dogmas mais persistentes ensinados na biologia básica é o da estabilidade do DNA. Vemo-lo como uma estrutura rochosa, imutável, passada intacta através das gerações. Esta visão, embora útil para explicar a hereditariedade mendeliana, é fundamentalmente incompleta. A verdade é que o DNA é, e sempre foi, um manuscrito em constante edição. Essa capacidade de mutação é o motor da evolução; sem ela, a vida na Terra não teria a diversidade que testemunhamos.
Enquanto as mutações no genoma nuclear germinativo são raras, existe um subsistema genético em nosso corpo que vive em um estado de fluxo muito maior: o DNA mitocondrial (mtDNA). Herdado matrilinearmente, o mtDNA é o “sistema operacional” de nossas mitocôndrias. Sua vulnerabilidade é uma consequência direta de sua localização. Ele reside no epicentro da fosforilação oxidativa, o processo final do Ciclo de Krebs, onde a energia é produzida. Este processo, embora essencial à vida, é “sujo”, gerando uma enorme quantidade de radicais livres (espécies reativas de oxigênio).
O mtDNA, desprotegido pelas complexas proteínas histonas que guardam o DNA nuclear e com mecanismos de reparo menos eficientes, sofre o ataque constante desses radicais. O resultado é uma taxa de mutação até 10 a 20 vezes maior que a do genoma nuclear. Uma fosforilação excessiva ou ineficiente, comum em estados de inflamação crônica, resistência à insulina e estresse metabólico, acelera o dano ao mtDNA. Essas mutações no DNA mitocondrial se acumulam ao longo da vida, sendo uma das causas primárias do envelhecimento celular e um fator central em inúmeras síndromes metabólicas, doenças neurodegenerativas e na fadiga crônica. A saúde do nosso genoma mitocondrial é, portanto, um reflexo direto da nossa saúde metabólica.
Herança Epigenética: Nossos Comportamentos são Realmente Apenas Nossos?
Tendo estabelecido que nosso DNA muda, chegamos a um dos dilemas mais profundos e provocativos da ciência moderna, que coloca em xeque a clássica dicotomia entre “natureza” (genética) e “criação” (ambiente). E se as experiências de vida dos nossos pais ou avós pudessem alterar a forma como nossos genes são expressos hoje?
Este é o campo da herança epigenética transgeracional. A questão central é: as marcas epigenéticas (como a metilação) adquiridas em resposta ao ambiente podem ser passadas através das células germinativas (espermatozoides e óvulos) para a próxima geração? A ciência ainda debate a extensão e os mecanismos exatos em humanos, mas as evidências, principalmente de estudos em animais e algumas coortes humanas, são perturbadoras e fascinantes.
Estudos mostraram que a prole de ratos expostos a um determinado cheiro enquanto recebiam um leve choque desenvolveu uma aversão inata àquele cheiro, sem nunca ter sido exposta ao condicionamento. Análises em populações humanas que sofreram períodos de fome extrema sugerem que os netos desses indivíduos apresentam padrões de metilação alterados e maior risco de doenças metabólicas.
Isso nos força a considerar que comportamentos e predisposições podem não ser apenas fruto de aprendizado social ou de sequências de DNA herdadas, mas também de uma “memória” epigenética das experiências de nossos antepassados. O dilema que a ciência enfrenta é monumental: ele sugere que o trauma, a dieta e o estresse não afetam apenas o indivíduo que os vivencia, mas podem deixar assinaturas bioquímicas que ecoam através das gerações.
Com esta visão de um genoma fluido, mutável e influenciado por gerações passadas, a complexidade do sistema humano se revela quase infinita. A quantidade de variáveis a serem consideradas para entender a saúde de um único indivíduo é astronômica. Fica claro que a mente humana, por si só, não é mais suficiente para a tarefa.
A Revolução da Bioinformática: O Nascimento da Medicina Preditiva-Assertiva
A afirmação que farei agora pode parecer ousada, mas é a conclusão lógica de tudo que expusemos: o futuro da saúde não pertence à Biomedicina, à Metabolômica, das análises clínicas, nem da medicina supostamente dita personalizada, no modelo estatístico que hoje se pratica, nem mesmo à genética convencional, mas à união destas ciências à Bioinformática.
As atuais ciências da saúde se tornaram magistcais em gerar dados – o sequenciamento de um genoma completo, que custava bilhões de dólares, hoje custa algumas centenas. O gargalo deixou de ser a coleta de informações e passou a ser a sua interpretação. É como ter uma biblioteca com trilhões de livros sobre um único paciente e tentar encontrar uma resposta usando apenas os próprios olhos.
É aqui que a Inteligência Artificial (IA) – em seus diversos modelos como Deep Learning e LLMs – transcende de uma ferramenta para se tornar o próprio sistema nervoso central da nova medicina. Sua capacidade de processar um volume de variáveis humanamente impossível nos permite, pela primeira-la vez, criar modelos preditivos que integram todas as camadas que discutimos:
- O genoma (o código-fonte);
- O epigenoma (as anotações de metilação e histonas);
- O transcriptoma (quais genes estão ativos);
- O proteoma (as proteínas que estão funcionando);
- O metaboloma (as consequências metabólicas);
- A Farmacoterapia
- As análises clínicas
- E o expossoma (o impacto do ambiente e do estilo de vida).
O objetivo final é a criação de “gêmeos avatares” (ou digital twins): modelos computacionais idênticos a um paciente em nível molecular, nos quais podemos simular intervenções, testar medicamentos e prever a trajetória de saúde com décadas de antecedência.
A jornada da IA na saúde tem seus percalços, como o famoso projeto Watson da IBM, que falhou em grande parte por tentar aplicar a IA a dados clínicos desestruturados e por subestimar a complexidade da integração de dados do mundo real. No entanto, o sucesso estrondoso de projetos como o AlphaFold da Google, que resolveu o problema do enovelamento de proteínas, mostra que, quando aplicada a problemas bem definidos e com dados de alta qualidade, a IA resolve desafios biológicos fundamentais. O impacto já é real e irreversível. No Brasil, por exemplo, observamos uma crise na especialidade de Patologia, com cerca de 2100 profissionais e pouquíssima procura por novas residências. Por quê? Porque a análise de padrões em lâminas, uma tarefa classicamente humana, já está sendo superada pela precisão e velocidade de algoritmos de deep learning.
Da Consequência à Causa – A Era da Medicina Preditiva-Assertiva®
Por milênios, a prática médica seguiu uma lógica reativa. A medicina alopática curativa, a preventiva e mesmo a genética convencional, em grande parte, esperavam a consequência para investigar a causa. O exame clínico, a análise laboratorial, a metabolômica – todos são fotografias de um evento que já ocorreu no corpo.
Agora, a lógica cartesiana pode ser finalmente aplicada à saúde: é a causa que leva à consequência. Com o poder da bioinformática, do big data humano e da imensa capacidade computacional, podemos analisar a causa primária – o sistema dinâmico do genoma de um indivíduo – para prever os efeitos antes que eles se manifestem.
Este novo paradigma, que cunhei em minhas pesquisas como Medicina Preditiva-Assertiva®, autoria do Dr. João Ricardo, representa a evolução final. Não se trata mais de dizer a um paciente que ele tem um “risco de 30%”. Trata-se de afirmar, com base em seu gêmeo avatar: “Dado o seu padrão de metilação no gene X e sua atual ingestão de vitamina B12, seus hábitos alimentares, de sono, de exercícios, sua glicose estimada pelo Apple Watch® ou pela Abbot Systems®, sua pressão arterial medida pelo seu relógio digital, a quantidade de passos dados e as calorias consumidas ao longo dos dias, sua composição corporal pela Bioimpedância e a trajetória do seu perfil inflamatório levará a uma disfunção endotelial em 7 anos. A intervenção precisa, para o paciente se torna altamente oersonalizada e assertiva, mitigando colaterais e garantindo melhor condição de saúde e vida.
Em um campo futuro mais evoluído, “Angelinas Joulies” não precisarão remover as mamas, mas poderão fazer uma edição gênica. Doenças genéticas ou incuráveis, terão soluções, replicando genes em mitoses que levarão à cura, até mesmo a genética do microbioma intestinal poderá ser alterada.
E se você acha que isso está muito longe, é preciso urgentemente reavaliar o curva de crescimento exponencial das tecnologias ligadas à saúde. Não muito distante, vivemos a espantosa velocidade que se acabou com a epidemia da Covid, com o uso da genética para desenvolver as vacinas mais rapidamente que até então se conhecia.
A baixa de profissionais em Patologia Clínica é já decorrência da IA, demonstrando sua capacidade efetiva e assertiva. Modelo similar já se vê nas análises clínicas: nenhum ser humano tem a assertividade da visão e análise computacional de uma Hematologia automatizada e aderida a uma Inteligência Artificial. É humanamente impossível ser tão veloz e tão assertivo.
O mencionado programa AlphaFold, do DeepMind (Google), é mais um exemplo, ao usar a IA para prever a estrutura tridimensional de quase todas as proteínas conhecidas pela ciência, um problema que levaria séculos para ser resolvido experimentalmente. E previu a forma (e, portanto, a função) a partir da sequência.
Estudar a Causa, Não a Consequência: A Bioinformática vence a Metabolômica e a Bioquímica
Essa é a mudança de paradigma. Hoje, a análises clinicas, o diagnóstico por imagem por causas não externas, a metabolômica, e a própria medicina, analisam as consequências (os metabólitos presentes no seu sangue, os reflexos em analitos específicos ou padrões de imagem, sintomalgia, anamnese), para daí se chegar a uma causa. Pelos limites tecnológicos até então usados, diante das inúmeras variáveis possíveis, a química estava limitada à física. H²O sempre será à água, mas não se era possível predizer qual seria o produto final de uma condição reativa do organismo.
Até a psiquiatria já usa modelos de APPs, aprovados pela FDA sob prescrição médica, nos EUA, dentre outros APPs validados para terapias comportamental-cognitivas, com alta previsibilidade de eventos suicídios (acima de 70% de previsibilidade) além de modelos em estudos no Brasil pelo SUS em parceria com a USP, em Intuiutaba e em Campinas, evidenciam o poder computacional em prol da saúde.
A Bioinformática, a Deep Learning, a IA se auto aprendendo (Machine Learning) e a velocidade de processamento, sem nem ainda considerar a computação quântica, traçar o futuro, a partir do seu código genético e epigenético, será prever com precisão qual o perfil metabolômico ou clínico em resposta a um estímulo, antes mesmo que ele aconteça, com a possibilidade de se mudar um destino, quer seja pelos hábitos, quer seja pela edição génica. Definitivamente a genética não sera o fim determinístico da vida.
A medicina, a metabolômica, a farmacoterapia, a buomedicina, a bioquímica e a própria genética tradicional. deixam de ser limitadas pela capacidade humana de processar e se aproxima da exatidão da física. Estamos deixando a era de estudar as sombras na parede para finalmente poder analisar a luz que as projeta. E no horizonte, a computação quântica promete oferecer um poder de processamento capaz de modelar a própria natureza probabilística da biologia quântica, tornando nossas predições ainda mais assertivas.
A certeza disso tudo, entretanto, é uma: O futuro não está batendo à porta. Ele já está aqui. A questão não é se a nossa profissão vai mudar, mas sim se estaremos preparados para liderar essa transformação ou estamos nos preparando para estas novas Skills necessárias para o cuidado à saúde humana.
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Sobre o Dr. João Ricardo
Dr. João Ricardo Magalhães Gonçalves é especialista em exames laboratoriais, metabolismo e genética. CEO do Laboratório João Paulo, autor de livros médicos e conselheiro de empresas na área da saúde.
Contato
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- 🌐 Site: joaoricardoexames.com.br
- 🔬 Laboratório: laboratoriojoaopaulo.com.br
Laboratório João Paulo
Alta tecnologia e precisão, em cuidado com a vida